Meteorito Bendegó - O maior meteorito brasileiro conhecido.



Local do achado - Segundo coordenadas constantes no Meteoritical Bulletin Database.

 Região Nordeste da Bahia


Imagens do Meteorito Bendegó - Encontrado a 227 anos atrás.




Trabalhos de remoção (2005)


Imagens da mudança do local de exposição do Meteorito de Bendegó, no Museu Nacional, saindo da sala de meteoritos e voltando para o hall de entrada do Museu, seu lugar original de exposição.


Histórico


O Meteorito Bendegó foi encontrado em 1784, pelo menino Bernardino da Mota Botelho, filho do vaqueiro Joaquim da Mota Botelho, quando tomava conta de algumas cabeças de gado no sertão baiano. Nessa época o Brasil ainda era uma colônia de Portugal.

O local onde ele foi achado está localizado a, aproximadamente, 40 km da cidade de Monte Santo, no nordeste do Estado da Bahia e a 180 m do Riacho Bendegó, que daria nome ao meteorito e, próximo à BR-116.

No ano seguinte à descoberta o Governador-Geral da Província, D. Rodrigo José de Menezes requereu que aquela pedra fosse transportada até a capital da Província da Bahia. Um de seus oficiais, o Capitão-mór Bernardo Carvalho da Cunha foi o encarregado dessa árdua tarefa. Primeiramente ele escavou ao redor da “massa de ferro” e colocou quatro alavancas sob a mesma e com a ajuda de 30 homens conseguiu tombar a pedra, revelando que ela estava assentada sobre uma grossa camada de ferro oxidado, de quase 46 cm de espessura, o que evidenciava não só o longo tempo em que ela ali esteve, bem como o fato de que sua massa original era muito maior do que a recuperada.

No final de 1785, a fim de realizar o transporte da pedra, foi trazida uma carreta de madeira puxada por bois, especialmente construída e, após três dias de trabalho conseguiram levantar a pedra sobre a carreta. O caminho para a capital da província indicava a necessidade de passar através do Riacho Bendegó e, para facilitar a passagem foram colocadas pedras no leito do riacho.

A carreta não se moveu até que vinte pares de bois estivessem alinhados. Num determinado trecho em que a carreta começou a descer uma colina, ela ganhou velocidade e correu descontrolada ladeira abaixo. Um eixo pegou fogo e a “massa de ferro” caiu abruptamente, tocando o leito do raso Riacho Bendegó. Nessa frustrada tentativa, a pedra foi movimentada por uma distância inferior a 210 metros do ponto de origem. O destino dos bois não ficou registrado.

Por mais de um século nenhuma iniciativa foi feita no sentido de recolher a pedra do leito do riacho (imagem ao lado). Todavia, durante esse período ela não ficou esquecida. Vaqueiros locais a conheciam bem e viajantes (cientistas), a visitaram diversas vezes para, após muito trabalho, retirar pequenos pedaços de metal.

Em 1810, a extraordinária pedra foi reconhecida pelo mineralogista inglês A. F. Mornay como um meteorito constituído de ferro e não como uma fonte de prata ou ouro. Mornay descreveu o meteorito como de cor castanho, “a cavidade inferior possuia crostas de finos flocos, cor de ferrugem”. A lustrosa superfície superior era toda ela levemente recortada, como que martelada com um grande martelo de cabeça redonda. A superfície marrom era uma camada muita fina de ferrugem, na qual o mais leve arranhão feito com uma faca produzia uma brilhante faísca. Quando golpeado com aço o meteorito produzia abundante faíscas e “quando friccionado com um seixo de quartzo no escuro, ela tornava-se brilhante”.

Em 1819 o meteorito foi visitado por dois naturalistas alemães, Martius & Spix, os quais extraíram uma amostra que foi enviada para Munique.

Aparentemente, o meteorito continuou ignorado por mais algumas décadas, até que por volta de 1880, foi construída uma ferrovia que ligava o porto da capital da província até a região comercial do alto Rio São Francisco, passando através do sertão. A nova linha passava a, aproximadamente, 81 km, em linha reta, a oeste do local onde se encontrava o Bendegó o que tornou possível discutir a movimentação do meteorito através do sertão até a estrada de ferro.

O homem que aceitou o desafio de recolher o meteorito foi o oficial naval aposentado José Carlos de Carvalho. Seu filho, Vicente José de Carvalho Filho, era um engenheiro civil empregado na construção da nova ferrovia na Bahia e tinha visitado pessoalmente o meteorito e reportou ao governo a possibilidade de movimentá-lo. José Carlos de Carvalho foi designado chefe da Comissão que traria o meteorito até o Rio de Janeiro. Seus companheiros foram seu filho e outro engenheiro, Humberto Saraiva Antunes. As custas dos trabalhos de movimentação do meteorito até a ferrovia, foram arcadas pelo Barão de Guahy, deputado da província da Bahia e quando o trabalho foi completado, o custo foi estimado em $10.000.

Em 20 de agosto de 1887, a Comissão deixou o Rio de Janeiro, de navio a vapor. Três dias mais tarde eles chegaram ao porto da Bahia e, em 7 de setembro estavam junto ao Bendegó, confrontando inúmeros problemas. Eles tinham de medir o meteorito e estimar sua massa, a partir de suas dimensões. E eles tinham de escolher uma rota e planejar meios de mover a massa, contra consideráveis obstáculos do terreno e do clima.

No exato ponto em que o meteorito foi achado, foi construído um marco de pedra, para registrar tão importante evento e inaugurar os trabalhos de sua remoção. Esse marco que se chamou D. Pedro II (imagem ao lado), continha inscrições homenageando a Princesa Isabel, o Imperador D. Pedro II, o Ministro da Agricultura, Rodrigo Silva, o Visconde de Paranaguá e os membros da Comissão de Transporte do Bendegó.

A rota mais curta entre o local onde estava o meteorito e a ferrovia, e também a mais plana, atravessava uma região tão seca que lá não existiam povoados, os quais seriam essenciais para o provimento de alimentação, de água e tropas de animais para trabalho. Desta forma, esse caminho não poderia ser utilizado. Uma rota alternativa foi então escolhida. Ela corria para o sul e então para o sudoeste, através de um conjunto de pequenas colinas, através de vilas e fazendas, caminhos arenosos, afloramentos rochosos e inúmeros leitos de riachos normalmente secos.

Continua...